por Sam Hart
REGISTRO E CÓPIA

Até o século 18 teatro e música eram duas artes que precisavam ser experienciadas ao vivo – não havia registro da apresentação em si, somente da partitura ou roteiro. Pintura, escultura, arquitetura eram a arte e a experiência ao mesmo tempo. Se teve um ator brilhante ou um cantor espetacular antes do desenvolvimento da gravação do som ou da imagem, não temos como ouvir ou vê-lo. Hoje, pelo contrario, não só registramos som e imagem, como podemos copiá-los infinitamente, sem perda de qualidade.
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por Sam Hart
Dança: a dança é a primeira das artes. Antes de fazer música, aprendemos a ouvir a música que vem das árvores, do vento, do rio – antes de desenhar as formas da natureza, sentimos a forma do nosso corpo, o movimento de nossas mãos, o ritmo do nosso pulso. Por isso que falamos em mãos com gestos expressivos ao pintar, dedos que dançam sobre o piano, coreografias de futebol ou arte marcial.
por Sam Hart

Morte e música: sem a morte não pode existir a música – para uma nota poder nascer, outra tem de morrer; para uma melodia existir, notas nascem e morrem em sequencia – se as notas não morressem, todas existiriam ao mesmo tempo, e só haveria kakofonia. Levando adiante, uma frase morre para outra nascer, uma página é virada para outra tomar seu lugar. Quem já não chegou ao fim de um livro com saudades do que leu?
por Sam Hart

Escultura e Arquitetura: duas artes tri-dimensionais, a primeira lida com a matéria, o sólido, a forma, por onde passeia o olhar… a segunda com o vazio, o espaço, a conversa do corpo com o ambiente, por onde você passeia.
por Sam Hart

As indústrias de HQ e Música: ambas promovem mega-estrelas; ambas tem mainstream e projetos autorais, alternativos; ambas tem autores que ficaram anos trabalhando no meio antes de estourarem da noite para o dia; ambas tem fanzines e/ou demos; em ambas a maior parte da grana não fica com quem cria.
por Sam Hart
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Sexo e Morte: duas coisas inevitáveis, por mais que a gente se comporte bem ou vire padre. Nas artes a junção ou contraposição é usada para aumentar a tensão, o fundo emocional ou susto de uma cena ou sequência. Sexo – todo mundo está relaxado, curtindo o momento; morte repentina – o terror e a brevidade da existência são cruamente reafirmados. De Jason a Spielberg, de Conan a Chaykin, exemplos não faltam.
Por Sam Hart

Arte Comercial: quadrinhos, ilustração, design, algumas formas de fotografia e música fazem parte de uma contradição em termos, a arte comercial. Arte é algo único, original, expressão pessoal, sentimental e momentâneo: comercial implica em produção para as massas, relação com o observador e influências do mercado, com prazos e qualidade mínima garantida que independem do sentimento ou situação do criador. Se o profissional vai produzir independente de suas condições, o artista por outro lado é totalmente influenciado por suas emoções e experiências.
RELAÇÕES #2
Por Sam Hart

Mais uma com música: música e HQ são ambas artes narrativas, seqüenciais. Dependem de estabelecer um ritmo, uma expectativa no leitor/ouvinte, pra depois subverter e alterar, surpreender, essa expectativa. Ambas usam e dependem do vazio: é o espaço entre os quadros que permite a construção do movimento, é o espaço entre as notas que permite a evolução da harmonia. E ambas são colaborativas: dependem, em sua maior parte, do entrosamento entre texto e desenho, instrumentos e voz, composição e execução.
Sam Hart

No mesmo dia que o Rod Reis me convidou para participar com textos para esse blog fomos assistir a um show do Karnak no Sesc Pompéia. Karnak, para quem não conhece, é um dos melhores e um dos primeiros grupos “globalizados”, pois sua música e letras muitas vezes passam pela mistura étnica e cultural. Muito bom, recomendo. E durante o show me ocorreu a temática dos meus textos: meus pensamentos abstratos sobre as relações entre as artes – pois o que é arte senão a procura da comunicação, o elo, a relação?
RELAÇÕES#1
Não sou muito fã de rap, mas tem uma musica do Marcelo D2 que tem um refrão que acho muito interessante: “Vivo o pesadelo do pop, à procura da batida perfeita.” Pop, para quem não se lembra, é de “popular” e faz referencia a uma arte para as massas, de grande vendagem. Quadrinhos também é Pop, uma arte comercial – com todas as implicações dessa expressão contraditória: arte deve ter educação, estudo, refinamento e ser único em sua execução; ter preocupações comerciais, no entanto, implica em ter que se sujeitar às condições de mercado, da economia, denominador comum e gosto popular. Pode ser um trabalho, um pesadelo de malabarista equilibrar essas forças muitas vezes opostas. E nos quadrinhos, no desenho, estamos sempre à procura do traço perfeito, que vai expressar/representar com exatidão o objeto, o movimento, o sentimento.
